Análise Macroeconômica · Panorama Global e Brasil · Maio 2026
Os Choques
da Guerra
Um conflito geopolítico que redefine preços de energia, bancos centrais em compasso de espera e uma curva de juros brasileira que ainda carrega prêmios historicamente generosos.
Oriente Médio
Fed · Selic · BCE
EUA · Brasil · China
Prêmio de Risco
Legacy and Heritage · Maio 2026
01 · Resumo Executivo
5 teses que definem maio
01
01
Oriente Médio: cessar-fogo, não paz
Conflito EUA-Irã é a variável estruturante do ciclo — sem acordo formal
Brent acima de US$ 100; curva em backwardation projeta normalização em 2026
WTI acumula +83% no ano — choque energético pressiona inflação global
Risco: Estreito não normalizado até 3T
02
EUA: crescimento resiliente, inflação teimosa
PIB 1T26: +2,0% t/t anualizado — demanda doméstica sustenta crescimento
Fed em pausa hawkish; sem cortes em 2026 — supernúcleo PCE em 4,0% (6m)
Consenso projeta PIB americano em 2,75% para 2026 — acima do esperado
PCE headline: pico próximo a 4,0%
03
Brasil: Selic 14,50% — ciclo revisado
COPOM cortou para 14,50% mas sinalizou atenção à extensão do ciclo
Curva DI precifica apenas mais 2 cortes de 25bps em 2026
BRL apreciou ~10% no YTD; desemprego subindo pelo 3º mês (5,62%)
IPCA projetado: 4,80% em 2026
04
Alocação local: prêmios longos são a tese
CDI performa mal nos 12 meses que antecedem ciclos de corte
NTN-B longa e prefixados com duration 4 anos capturam taxas reais acima de 7% a.a.
Ações neutras — EWZ acumula +23,4% no ano, 2ª entre ETFs de emergentes
Duration média recomendada: 7 anos
05
Global: carry como motor — ações americanas com assimetria positiva
Com juros globais elevados, o carry é o principal gerador de retorno em renda fixa internacional
Investment Grade sobrealocado; High Yield neutro; EM soberano subalocado
Excepcionalismo corporativo americano intacto — 300 de 499 empresas superaram consenso no 1T26
Sobrealocação EUA financiada por subalocação Europa — choque energético impacta de forma assimétrica
S&P 500 +10,4% em abr
Nikkei +16,1% em abr
EM: carry atrativo
Fonte: Bloomberg · Anbima · BCB · IBGE · Tesouro Direto · Mai 2026
Eternion · Legacy and Heritage
02 · Geopolítica
Oriente Médio: cessar-fogo sem acordo formal
02
Linha do tempo — Mar a Mai 2026
🔥
Mar–Abr 2026 · Pico do conflito
Estreito de Ormuz parcialmente bloqueado. Brent ultrapassa US$ 110/bbl. Treasury 10 anos atinge 4,48% — máxima do ciclo. Mercados globais em forte correção.
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Meados de Abril · Cessar-fogo anunciado
Rally histórico: S&P 500 sobe +10,4% em abril — o mais forte desde 2009/2020. Treasury 10a recua para ~4,20%. Mercado passa a precificar que o pior ficou para trás.
⚠️
Final de Abril · Negociações travam novamente
Irã condiciona avanços ao fim do bloqueio naval. EUA cancelam envio ao Paquistão. Brent volta a US$ 100+. Treasury 10a retorna à faixa 4,30–4,35%.
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Maio 2026 · A grande assimetria
Curva futura do petróleo em backwardation sinaliza normalização esperada. A inflação já carrega efeitos de segunda ordem embutidos nas curvas de juros globais.
Petróleo WTI — Trajetória 2025–2026 (USD/bbl)
WTI Spot vs. Curva Futura — backwardation sinaliza normalização
A grande assimetria: A curva futura precifica normalização ainda em 2026 — mas os bancos centrais mantêm tom restritivo como se o choque fosse durar. Quem estiver correto determinará o ritmo de cortes nos próximos 12 meses.
Risco de cauda: Se o Estreito não normalizar até o 3T26, o supernúcleo americano pode acelerar, forçando o Fed a considerar altas — cenário fora do preço hoje.
Fonte: Bloomberg · EIA · Federal Reserve · BCE · Mai 2026
Eternion · Legacy and Heritage
03 · Estados Unidos
Economia resiliente, inflação que não cede
03
Inflação PCE — Trajetória 2022–2026E (% a.a.)
PCE Headline vs. Núcleo vs. Meta do Fed (2% a.a.)
O que o gráfico revela: O PCE saiu de 7% em 2022, convergiu próximo à meta em 2024 — e voltou a subir. O choque energético reacendeu o headline; o supernúcleo (serviços ex-habitação) segue em 4,0% em 6 meses.
Fed Funds Rate — Cenários (% a.a.)
Juros implícitos vs. cenário base de manutenção
Fed em compasso de espera: Taxa em 3,50–3,75%; só considera cortes após progresso visível no choque de energia. Desemprego em 4,3% — próximo da taxa natural — sem pressão do mercado de trabalho.
PIB 1T26
+2,0%
t/t anualizado · vs. +0,5% no 4T25
Desemprego
4,3%
Próximo da taxa natural
Fonte: BEA · BLS · Federal Reserve · Bloomberg · Mai 2026
Eternion · Legacy and Heritage
04 · Brasil
Selic e IPCA: onde estamos no ciclo
04
Taxa Selic — Histórico 2015–2027 e Cenários (% a.a.)
Selic Meta · Curva DI (mercado) vs. Cenário base de cortes
Leitura do ciclo: Estamos no início de um novo ciclo de cortes, mas com diferencial: o Copom sinalizou que a extensão está em debate, não só o ritmo. Desemprego subindo pelo 3º mês (5,62%) indica que o ciclo pode ir mais longe do que a curva DI precifica.
IPCA Anual vs. Teto da Meta — 2015 a 2026E (% a.a.)
IPCA acumulado anual — vermelho = acima do teto (4,5%)
Padrão estrutural: De 2015 a 2026, o Brasil ficou dentro da meta em apenas 3 anos — razão pela qual o juro real permanece alto e a NTN-B longa paga acima de 7% mesmo com Selic em queda.
Fonte: BCB · IBGE · Anbima · Bloomberg · Mai 2026
Eternion · Legacy and Heritage
05 · Estratégia Internacional
Carry como motor de retorno — renda fixa no centro
05
Retorno acumulado 12 meses por classe de ativo global (%)
Renda fixa vs. ações globais — retorno 12 meses até Abr/26
O que o carry significa na prática: Títulos de Investment Grade e High Yield entregaram 5%–10% nos últimos 12 meses apenas via cupons. Com o Fed estável, essa dinâmica se sustenta — e é o motor central da estratégia internacional hoje.
Visão por classe — Renda Fixa Internacional
Soberano Desenvolvidos + Inv. Grade
Alta qualidade — carry consistente, menor volatilidade
▲ Over
TIPS — Indexados à Inflação (EUA)
Hedge duplo: surpresa inflacionária e desaceleração
▲ Over
High Yield Global
Atividade sustenta spreads, mas energia comprime margens
— Neutro
EM Soberano / Corporativo
Risco geopolítico eleva spreads — carry não compensa o risco
▼ Under
Duration posicionada em 5 anos (abaixo do benchmark de 7 anos). Ganho de capital via fechamento das taxas deve se materializar no 2S26, condicionado à desescalada do conflito.
Fonte: Bloomberg · FactSet · Fed · ECB · Mai 2026
Eternion · Legacy and Heritage
06 · Brasil — Renda Fixa
Prêmios de risco longos: por que alongar agora?
06
Juro Real brasileiro — Curva NTN-B (IPCA+ % a.a.)
NTN-B: curva atual Abr/26 vs. Mar/26 vs. mínima histórica (2020)
Por que o IPCA+ importa: Em 2020, esses vértices pagavam apenas 2,8% de juro real; hoje pagam acima de 7%. Para quem tem horizonte longo, esta janela é historicamente rara — em ciclos anteriores de corte, esses vértices fecharam 150–200bps.
Tabela Periódica — CDI vs. IMA-B 5+ por ano (%)
Inflação longa supera CDI nos anos de queda da Selic
A lição da tabela periódica: O IMA-B 5+ supera o CDI com margem expressiva nos anos em que a Selic cai (2016: +27% vs. +14%; 2019: +26% vs. +6%). Estamos exatamente no ponto de inflexão do ciclo. A assimetria favorece o alongamento agora.
Fonte: Anbima · Tesouro Direto · BCB · Meu Patrimônio · Mai 2026
Eternion · Legacy and Heritage
07 · Performance do Dólar
Dólar em queda estrutural — política industrial como vetor
07
Valorização das moedas frente ao Dólar em 2026 — YTD (%)
DXY acumula queda de ~8% no ano — emergentes e Euro ganham terreno
O dólar não enfraquece por acaso. A agenda tarifária e de reshoring americana busca reequilibrar déficits comerciais históricos — e isso tem efeito estrutural de pressão baixista sobre a moeda americana.
Os três motores do enfraquecimento
Política Industrial & Tarifas
Proteccionismo reduz importações e comprime o déficit em conta corrente — estruturalmente bearish para o dólar a médio prazo
Diversificação de Reservas Globais
Bancos centrais de emergentes (Brasil, China, Golfo) reduzem alocação em USD — pressão vendedora estrutural e contínua
Diferencial de Juros Comprimido
Fed em pausa enquanto outros bancos centrais sobem ou mantêm taxas elevadas — carry do dólar perde atratividade relativa
Implicação para carteiras: Dólar mais fraco favorece ativos de risco em emergentes, reduz pressão inflacionária via importados e é positivo para NTN-Bs longas — reforça nossa tese de duration.
Fonte: Bloomberg · Federal Reserve · BIS · Banco Central do Brasil · Mai 2026
Eternion · Legacy and Heritage
Legacy and Heritage
Eternion · Panorama Macroeconômico · Maio 2026