Resumo Executivo A Guerra do Oriente Médio Cenário Global Setor Externo Política Fiscal Atividade Econômica Inflação Política Monetária Tema do Mês
Análise Macroeconômica · Brasil e Mundo · Junho 2026

Inflação em alta,juros sem espaço

A economia brasileira segue resiliente, mas o cenário ficou mais difícil: inflação revisada para cima, expectativas se deteriorando e um novo choque externo vindo do conflito no Oriente Médio.

PIB 2,0%
IPCA 5,3%
Selic 14,25%
Dólar R$ 4,90
Legacy and Heritage · Junho 2026
01 · Resumo Executivo

O que aconteceu em maio

01

A economia mantém a resiliência do primeiro semestre, mas o cenário ficou mais desafiador — inflação acima do teto da meta, expectativas desancoradas e um choque de petróleo que volta a pressionar preços.

★ Última hora — 14 de junho

EUA e Irã fecharam um acordo para reabrir o Estreito de Hormuz e estender o cessar-fogo, encerrando a fase mais aguda da guerra. O petróleo recuou para US$ 82,84 e as bolsas globais subiram — um alívio importante, ainda que as pressões de inflação já acumuladas permaneçam. Veja a seção A guerra do Oriente Médio.

🌍
Cenário Global
Oriente Médio eleva a pressão

O prolongamento do conflito manteve o petróleo em patamar elevado, pressionando custos e alimentando incerteza. Brent no cenário-base: US$ 85/barril.

📈
Atividade
PIB cresce 1,1% no 1º tri

A demanda privada puxa a recuperação. Revisamos o PIB de 2026 para 2,0% — mas 2027 caiu para 1,1% pelo peso dos juros altos.

Inflação
IPCA revisado para 5,3%

Alimentos, combustíveis, serviços e bens industriais pressionam ao mesmo tempo. Expectativas seguem se deteriorando. Risco para cima.

Selic fim 2026
14,25%
↓25pb em junho, depois pausa
Dívida Bruta 2026
80,9%
do PIB — trajetória de alta
Desemprego mar/26
5,4%
mínimas históricas
Fonte: BTG Pactual · IBGE · BCB · Tesouro · Junho 2026
Eternion · Legacy and Heritage
02 · Mundo

A guerra do Oriente Médio

02

Iniciada em 28 de fevereiro, a guerra entre EUA/Israel e Irã durou mais de 100 dias, fechou o Estreito de Hormuz e provocou um choque global de energia. Em 14 de junho, as partes chegaram a um acordo para reabrir o Estreito e estender o cessar-fogo.

★ Acordo fechado — 14 de junho de 2026

EUA e Irã chegaram a consenso para reabrir o Estreito de Hormuz e estender o cessar-fogo, com assinatura prevista para sexta-feira, na Suíça. O Estreito será reaberto gradualmente em 30 dias, os EUA suspendem o bloqueio naval aos portos iranianos e o Irã reafirma que não buscará armas nucleares. A reação foi imediata: o Brent caiu mais de 5%, para US$ 82,84, e as bolsas globais subiram.

Duração
+100
dias de conflito
Custo p/ os EUA
US$29bi
estimativa do Pentágono
Reconstrução do Golfo
US$58bi
infraestrutura de energia
Gasolina nos EUA
US$4
por galão (de US$ 2,90)
Ataques do Irã aos países do Golfo
Total estimado de lançamentos (28/fev a 12/jun) — mais de 6.000
Emirados Árabes2843Kuwait1263Arábia Saudita1020Bahrein720Catar338Omã66
Petróleo Brent (US$/barril)
Disparada durante a guerra e queda após o acordo
US$70US$84US$98US$111US$125JanFevMarAbrMaiJunAcordo
Resposta global — cortes de impostos sobre energia
Nº de países que reduziram impostos em resposta à guerra
Europa26Américas13Ásia-Pacífico9África6
O choque que se espalhou pelo mundo

O Estreito de Hormuz — por onde passa boa parte do petróleo mundial — ficou praticamente fechado: de cerca de 100 navios/dia para apenas 127 em três semanas. A Ásia, que importa ~60% do petróleo do Oriente Médio, foi a mais atingida, com 15 países buscando empréstimos de emergência. O Banco Mundial cortou a previsão de crescimento global de 2,9% para 2,5% em 2026.

O que o acordo prevê
  • Reabertura gradual do Estreito de Hormuz em 30 dias
  • Cessar-fogo estendido por 60 dias, incluindo o Líbano
  • Fim do bloqueio naval dos EUA aos portos iranianos
  • Irã reafirma que não desenvolverá armas nucleares
Fonte: Financial Times · INSS · Rystad · Banco Mundial · OCDE · Junho 2026
Eternion · Legacy and Heritage
03 · Panorama

Cenário Global

03

O conflito prolongado no Oriente Médio e as tarifas americanas são os principais vetores de incerteza. EUA crescem menos, o BCE afrouxou a política monetária e a China mantém estímulos para compensar a fraqueza externa.

Brent (base)
US$85
conflito mantém patamar alto
Fed Funds
4,25%
sem cortes em 2026
BCE
2,25%
mais cortes à frente
PIB EUA 2026
1,4%
revisado por tarifas
Estados Unidos
Tarifas e incerteza, mercado de trabalho firme
  • Acordo de 90 dias com a China reduziu — mas não eliminou — o risco tarifário
  • Fed manteve juros; inflação acima da meta dificulta cortes em 2026
  • Crescimento revisado para baixo com consumidor mais cauteloso
Europa & China
BCE mais brando; China estimula a economia
  • BCE cortou para 2,25% com inflação convergindo à meta
  • China amplia estímulos fiscais para compensar menor demanda externa
  • Setor imobiliário chinês segue em ajuste, mas indústria melhora
Petróleo — Brent (US$/barril)
Projeção BTG: cenário-base US$ 85 no fim de 2026
US$70US$78US$85US$92US$100JanMarMaiJulSetNovDez
Ponto de atenção

Em 14 de junho, EUA e Irã fecharam acordo para reabrir o Estreito de Hormuz e estender o cessar-fogo. O Brent recuou para US$ 82,84 — alívio que confirma o cenário-base de resolução no 2º semestre, embora as pressões de inflação já acumuladas permaneçam.

Fonte: BTG Pactual · Bloomberg · Junho 2026
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04 · Brasil

Setor Externo

04

O câmbio se estabilizou após o estresse do fim de 2025. O superávit comercial segue robusto, impulsionado pelo agronegócio e pelo petróleo — cuja produção atingiu recorde histórico.

Dólar fim 2026
R$4,90
estabilização
Balança 2026
US$90bi
superávit robusto
Petróleo abr/26
4,3M
barris/dia — recorde
Conta Corrente
-1,7%
do PIB — sob controle
Câmbio — USD/BRL
Trajetória realizada + projeção BTG 2026
R$4.5R$5.0R$5.5R$6.0R$6.5Jan/25Abr/25Jul/25Out/25Jan/26Abr/26Jun/26Dez/26
Balança Comercial (US$ bi)
Superávit anual — série histórica
02855821102020202120222023202420252026E
Petróleo: motor do superávit

A produção de 4,3 milhões de barris/dia em abril é um novo recorde. Com o petróleo acima de US$ 80, a receita de exportações em 2026 supera US$ 53 bilhões — patamar que praticamente financia todo o custo das subvenções a combustíveis.

Fonte: BTG Pactual · BCB · ANP · Junho 2026
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05 · Brasil

Política Fiscal

05

O quadro fiscal segue desafiador. Déficit nominal perto de 9% do PIB, dívida em trajetória de alta e um pacote parafiscal de R$ 277 bilhões sustentando a atividade — mas ao custo de mais pressão inflacionária e dívida crescente.

Déficit Nominal 2026
8,9%
do PIB
Dívida Bruta 2026
80,9%
do PIB; 85% em 2027
Dívida Líquida 2026
68,7%
do PIB
Impulso Parafiscal
R$277bi
≈ 2,0% do PIB (∆ 25-26)
Dívida Bruta — Trajetória (% do PIB)
Série histórica e projeção BTG
65%71%78%84%90%2017201920212023202527E

O impulso fiscal mais que compensou o aperto monetário neste primeiro semestre — mas o custo virá na forma de dívida crescente e inflação mais persistente.

Principais Programas Governamentais
Programa∆ R$ bi% PIB
Medidas implementadas139,41,0%
Isenção IRPF31,00,2%
Move Brasil 1 e 229,70,2%
Consignado Privado24,00,2%
Crédito Imobiliário22,30,2%
Desenrola 2.0 + FGTS16,10,1%
Subvenção a Combustíveis

Custo primário de R$ 44 bilhões (até R$ 65 bi conforme a adesão). A receita do choque de petróleo — R$ 53 bi — compensa o custo das subvenções por enquanto.

Fonte: BTG Pactual · Tesouro Nacional · Junho 2026
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06 · Brasil

Atividade Econômica

06

O primeiro trimestre surpreendeu. O PIB cresceu 1,1% na margem, puxado por consumo e investimento. O mercado de trabalho vive seu melhor momento em décadas — mas o crédito preocupa.

PIB 2026
2,0%
revisado de 1,9%
PIB 2027
1,1%
revisado de 1,6%
PIB 1T26 t/t
+1,1%
demanda privada
Desemprego
5,4%
mínimas históricas
Inadimplência PF
7,2%
patamar elevado
Crescimento do PIB (% a/a)
Série histórica e projeção BTG 2026–2027
-4%-2%1%3%6%2017201920212023202527E
Serviços 2026
+2,4%
Motor da economia
Consumo 2026
+2,2%
Isenção IR + crédito
Taxa de Desemprego (SA)
Mínimas históricas, abaixo da NAIRU
4%6%9%12%14%20212022202320242025Mar/26
Ponto de atenção
Crédito: a principal fragilidade
  • Comprometimento de renda das famílias atingiu 27% da renda disponível — um dos maiores níveis da série histórica
  • Inadimplência subindo, especialmente em pessoa física (7,2%)
  • Juros altos encarecem o crédito — cenário difícil para 2027
Fonte: BTG Pactual · IBGE · BCB · MTE · Junho 2026
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07 · Brasil

Inflação

07

O cenário inflacionário se deteriorou ainda mais. O IPCA foi revisado para 5,3% em 2026 — acima do teto da meta. Quatro fontes de pressão simultâneas: alimentos, combustíveis, serviços e bens industriais. Riscos para cima.

IPCA 2025
4,3%
realizado
IPCA 2027
4,5%
acima da meta (3,5%)
IPCA 2026 — por componente (%)
Onde está a pressão
Alim. domicílio7.0%Serviços6.7%Serv. Subjac.6.2%Bens Indust.3.4%Administrados3.9%Média Núcleos4.6%IPCA Total5.3%
Trajetória IPCA a/a (%)
Realizado + projeção (cenário atual BTG)
3%4%4%5%6%Teto 4,75%Jan/25MaiSetJan/26MaiSetDez
Por que a inflação subiu?
Alimentos domicílio
7,0%
Chuvas + diesel + carnes
Serviços
6,7%
Mercado de trabalho apertado
Bens industriais
3,4%
Petróleo + cadeias globais
Média Núcleos
4,6%
Acelerando, disseminado
Riscos altistas adicionais
  • El Niño forte se consolidando — pressão em alimentos, sobretudo em 2027
  • Fim da escala 6x1 pode pressionar serviços intensivos em mão de obra
  • Reajuste da Petrobras com compensação parcial via impostos (R$ 0,30/L)
  • Expectativas Focus 2026: 5,11% — pior que o esperado pelo Copom
Fonte: BTG Pactual · IBGE · BCB · Junho 2026
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08 · Banco Central

Política Monetária

08

O Copom enfrenta sua decisão mais difícil do ciclo. A comunicação ainda aponta um último corte em junho, mas os fundamentos pedem pausa. O BTG projeta Selic em 14,25% até o fim de 2026, com retomada dos cortes apenas em 2027.

Selic atual
14,50%
Fim 2026
14,25%
pausa até 2027
Fim 2027
12,50%
retomada gradual
Trajetória da Selic (%)
Realizado + projeção BTG 2026–2027
10%11%12%14%15%Jan/24JulJan/25JulJan/26DezDez
Expectativas Focus — IPCA (%)
Deterioração em 2026, 2027 e 2028
3%3.5%4%4.5%5%202620272028Jan/26FevMarAbrMai5 Jun
O dilema do Copom

A comunicação sinaliza continuidade dos cortes, mas os dados não permitem: inflação surpreende para cima, atividade não arrefece e expectativas se deterioram até 2028. A decisão mais prudente seria pausar já em junho — mas o cenário-base mantém um último corte de 25pb pelo compromisso de comunicação acumulado.

Choques que ampliam a assimetria
Risco 1
Petróleo / Oriente Médio
Fretes e energia; reajuste da Petrobras pode elevar o IPCA
Risco 2
El Niño forte
Pressão em alimentos em 2027 (+30pb no IPCA)
Risco 3
Fim da escala 6x1
Eleva custo do trabalho (~30pb em 2027)
Risco 4
Cadeias globais
Efeitos não-lineares em bens (+0,26pp no IPCA)

Com choques sobrepostos e expectativas desancoradas, separar inflação temporária de persistência fica muito mais difícil — e a assimetria dos riscos aumenta.

Fonte: BTG Pactual · Banco Central · Focus · Junho 2026
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Seção que muda a cada mês
09 · Tema do Mês

A IA está transformando o mercado de ações

09

Por mais de 20 anos, as gigantes de tecnologia foram "máquinas de imprimir dinheiro". Agora, para financiar a corrida da inteligência artificial, elas precisam captar dinheiro — uma mudança de regime que pode redefinir o mercado quando a confiança oscilar.

Capex Big Tech 2027
US$815bi
6x o nível de 2023
Fluxo de caixa livre
-70%
queda projetada
IPO da SpaceX
US$1,76tri
o maior da história
Captação prevista 2026
US$400bi
cinco grandes empresas
Gasto com IA e tecnologia
% do investimento das empresas nos EUA — já passa de 1/3
28%30%32%34%36%20222023202420252026
Maiores recompras de ações (US$ bi)
Ano até setembro de 2025 — Big Tech lidera
Apple97Alphabet56Nvidia52Meta44JPMorgan28ExxonMobil21Microsoft20
Fluxo de caixa livre das Big Tech (US$ bi)
Cai com os investimentos em IA — e Wall Street aposta na volta
01623254886502024202526E27E28E30E
SpaceX domina os IPOs (valor de mercado, US$ bi)
A maior abertura de capital já vista nos EUA
SpaceX (2026)1765Alibaba (2014)169Facebook (2012)104Uber (2019)82Rivian (2021)67Airbnb (2020)41

"Seja o que for que a IA faça por nós, seu efeito sobre o mercado será profundo. Estamos vendo uma era antiga morrer e uma nova nascer."

O que mudou
De geradoras a tomadoras de caixa

As Big Tech viraram "hiperescaladoras" de IA: o investimento em data centers deve crescer 6x até 2027, derrubando o fluxo de caixa livre em 70%. E a maior compradora das próprias ações — as empresas — passou a emitir mais do que recompra.

Por que importa
Um motor do mercado mudou de direção

A recompra de ações sustentou as bolsas por uma década. Com a IA, esse fluxo se inverte: SpaceX, Alphabet, Meta, OpenAI e Anthropic podem captar US$ 400 bi só em 2026. O gasto com IA já é ~7% do PIB americano — escala parecida com a do boom imobiliário de 2007.

O risco
Confiança é o que sustenta o ciclo

Booms de investimento deixam legados úteis, mas em suas fases finais trazem excesso de confiança e exageros. Se a corrida da IA continuar se expandindo, o ajuste pode ser difícil — no estilo de 2001 ou 2008. Vale acompanhar de perto.

Fonte: Financial Times · S&P Capital IQ · Bloomberg · Dealogic · Junho 2026
Eternion · Legacy and Heritage