Resumo Executivo O Vento Externo Inflação e Riscos Copom e Selic A Economia Real Junho em Números Renda Fixa A Bolsa Brasileira O Que Fica
Panorama de Mercado · Brasil · Julho 2026

O ciclo de corte,chegando ao fim

O Fed endureceu o discurso, o dólar voltou a subir e o alívio no petróleo não foi suficiente. Dentro de casa, a inflação corrente piorou, a atividade continuou forte demais e o Copom cortou a Selic mais uma vez — provavelmente a última. A leitura do mês — e o que ela diz sobre os próximos.

Selic 14,25%
IPCA 12m 4,72%
Ibovespa 172 mil
Dólar R$ 5,16
Legacy and Heritage · Julho 2026
01 · Resumo Executivo

Onde estamos

01

Junho inverteu o vento. Um Federal Reserve mais duro fortaleceu o dólar e tirou fôlego dos emergentes; aqui dentro, a inflação corrente piorou justamente nos itens que o Banco Central menos controla. O Copom cortou a Selic de novo, mas o espaço para continuar praticamente acabou.

Selic
14,25%
−25 bps em junho
IPCA em 12 meses
4,72%
acima do teto da meta
Ibovespa
+6,8%
no ano — −1,0% em junho
Dólar
R$ 5,16
+2,5% em junho
🌎
O gatilho
O mundo ficou mais caro

O Fed abandonou o forward guidance, elevou suas projeções de inflação e juros, e o dólar reagiu. Para uma economia emergente ligada a commodities, o efeito é direto: câmbio mais fraco e menos fluxo estrangeiro.

📈
O problema
Inflação com viés de alta

Alimentos, bens industriais e um mercado de trabalho ainda apertado seguram a desinflação. Somados a El Niño e à volatilidade eleitoral, deixam o balanço de riscos claramente inclinado para cima.

🛡️
A resposta
O prêmio está no seguro

Com Selic acima de 14%, o retorno real chegou sem que fosse preciso ir buscá-lo no risco. É uma condição rara — e que muda o cálculo de quanto risco vale a pena assumir.

★ A história em uma frase

O Brasil entrou no segundo semestre com juro alto, inflação resistente e eleição no horizonte. Não é um cenário de apostas direcionais — é um cenário em que paciência e qualidade valem mais do que ousadia.

Fontes: BTG Pactual Macro Strategy, Itaú Unibanco, Santander Brasil e XP Alocação · dados de 30/06/2026 · síntese Eternion
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02 · O Vento Externo

O mundo ficou mais caro

02

Duas coisas aconteceram em junho e puxaram em direções opostas. O acordo no Oriente Médio derrubou o petróleo — bom para a inflação. Mas o Federal Reserve, sob nova liderança, endureceu o discurso e reprecificou juros para cima — ruim para o real, para o fluxo e para a bolsa. A segunda força venceu.

Petróleo Brent — do choque à normalização
Do pico de US$ 120 no conflito de volta a ~US$ 70, mas ainda ~20% acima do início do ano · Fonte: Refinitiv, XP Alocação e Santander
0357010514058Início de 2026120Pico do conflito70Fim de junho80Projeção 2S26
Fed: o que os diretores passaram a projetar
Medianas do FOMC para o fim de 2026 — inflação e juros revisados fortemente para cima · Fonte: Federal Reserve (SEP), via XP Alocação
0%1,5%3%4,5%2,4%2,2%PIB 20263,4%3,8%Fed Funds 20262,7%3,6%Inflação PCE 2026SEP de dez/25SEP de jun/26
O que mudou no Fed
Sem forward guidance

A primeira reunião sob Kevin Warsh manteve os juros em 3,50%–3,75%, mas retirou o viés de baixa e abandonou as sinalizações prospectivas. Metade dos diretores já projeta ao menos uma alta até o fim do ano, e o mercado passou a precificar duas de 25 bps. O CPI acelerou para 4,2% e o PCE, para 4,1%.

Como chega até nós
Três canais de transmissão

Juros internacionais mais altos, dólar mais forte (DXY +2,3% em junho) e menor apetite por risco emergente. O fluxo estrangeiro migrou para emergentes ligados a tecnologia — Coreia e Taiwan — e o Brasil, ativo de commodity, ficou de fora dessa rotação.

A leitura

O alívio do petróleo reduz o risco de um choque de oferta extremo, mas não muda o ambiente de inflação persistente e juros altos por mais tempo. Para o Brasil, o saldo líquido de junho foi negativo: perdemos mais no câmbio e no fluxo do que ganhamos na conta de combustíveis.

Fontes: Federal Reserve, Refinitiv, Bloomberg · elaboração a partir de BTG Pactual, XP Alocação e Santander · junho de 2026
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03 · Inflação e Riscos

Uma assimetria altista

03

O IPCA acumula 4,72% em doze meses — acima do teto da meta. E a composição incomoda mais que o número: serviços seguem pressionados pelo mercado de trabalho aquecido, e os bens industriais voltaram a acelerar. Olhando à frente, praticamente todos os riscos apontam na mesma direção.

A composição do IPCA
Acumulado em 12 meses até maio de 2026, contra o centro da meta de 3,0% · Fonte: IBGE, via XP Alocação
0%1,5%3%4,5%6%4,72%IPCA cheio5,22%Serviços2,67%Bens industriais3,00%Meta (centro)
Projeções de IPCA para 2026 e 2027
Consenso das casas que acompanhamos — todas acima da meta em ambos os anos · Fontes: BTG Pactual, Itaú Unibanco e Santander
0%2%4%6%5,30%5,40%5,00%2026e4,50%4,50%4,00%2027eBTG PactualItaúSantander
Os quatro riscos que nos preocupam
  • Choques de oferta do 1º trimestre — a persistência é indeterminada. Alimentação no domicílio e bens duráveis ainda não devolveram a alta.
  • El Niño — um evento forte na segunda metade do ano compromete a produtividade agrícola e a oferta de grãos, com impacto concentrado em 2027.
  • Mercado de trabalho — desemprego em mínimas históricas sustenta a demanda agregada e trava a desinflação de serviços.
  • Câmbio e eleição — a proximidade do pleito eleva o prêmio de risco e a volatilidade cambial, o principal vetor de repasse a preços.
⚠ O que mudou na margem

A queda do petróleo tirou pressão de combustíveis, fretes e fertilizantes — e é o único vetor relevante de risco baixista para 2026. Não é pouco, mas é insuficiente: a resiliência da atividade continua provocando revisões altistas no hiato do produto, o que freia qualquer narrativa de desinflação nos serviços.

Nossa conclusão
Não vemos surpresa baixista

A preços de hoje, não identificamos fatores capazes de renovar o otimismo com o ciclo de política monetária. O balanço de riscos é assimetricamente altista — e é essa a premissa central da nossa leitura do semestre.

Fontes: IBGE, Banco Central do Brasil · projeções de BTG Pactual, Itaú Unibanco e Santander · junho/julho de 2026
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04 · Copom e Selic

O corte que quase não veio

04

O Copom cortou a Selic para 14,25% em junho — o quarto corte de 25 bps seguidos. O detalhe revelador está na justificativa: a cada reunião de 2026, a projeção de inflação do próprio Comitê no horizonte relevante piorou, e mesmo assim ele cortou. Em agosto, com a rolagem do horizonte para o 1º trimestre de 2028, a projeção volta a 3,2%.

As reuniões do Copom em 2026
A cada decisão, a projeção do próprio Comitê se deteriorou — e o corte veio assim mesmo · Fonte: Banco Central do Brasil, compilação BTG Pactual Macro Strategy
ReuniãoHorizonteIPCA no HRDesvio da metaDecisãoSelic
28/jan/263T273,20%20 bps15,00%
18/mar/263T273,30%30 bps−25 bps14,75%
29/abr/264T273,50%50 bps−25 bps14,50%
17/jun/264T273,70%70 bps−25 bps14,25%
05/ago/261T283,20%20 bpsa definir
A projeção do Copom, reunião a reunião
IPCA no horizonte relevante, em % · a rolagem do horizonte para o 1T28 "reseta" o desvio · Fonte: Banco Central do Brasil (RPM 2T26)
2,8%3,1%3,4%3,7%4%3,20%3,30%3,50%3,70%3,20%28/jan18/mar29/abr17/jun05/ago
Para onde vai a Selic — projeções das casas
Convergência quase total em 2026; a divergência aparece em 2027 · Fontes: BTG Pactual, Itaú Unibanco, Santander e XP
0%4%8%12%16%14,00%14,00%13,75%14,00%Selic no fim de 202612,50%12,50%12,75%11,50%Selic no fim de 2027BTG PactualItaúSantanderXP
A leitura
Um Comitê dovish
Se este Copom cortou com 30, 50 e 70 bps de desancoragem em relação à meta, dificilmente será com 20 bps que optará pela manutenção. Nosso cenário-base é mais um corte em agosto.
O outro lado
A porta está fechando
A comunicação ficou mais cautelosa e o balanço de riscos foi descrito como assimétrico altista. Qualquer espaço remanescente para flexibilização está se esgotando rapidamente.
O que importa
Juro alto por mais tempo
Independentemente de agosto, a Selic termina 2026 perto de 14% e permanece em terreno contracionista por um período prolongado. É esse o dado que organiza todo o resto.
Fontes: Banco Central do Brasil (Relatório de Política Monetária 2T26) · projeções de BTG Pactual, Itaú Unibanco, Santander e XP
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05 · A Economia Real

Forte demais para o próprio bem

05

A atividade brasileira segue surpreendendo para cima — e esse é justamente o problema. Sustentada por impulso fiscal e parafiscal estimado entre 1,0% e 1,5% do PIB, a demanda agregada resiste à política monetária contracionista, empurra o hiato do produto para cima e trava a desinflação. O desemprego perto de mínimas históricas completa o quadro.

PIB 2026e
~2,0%
acima do potencial
Desemprego 2026e
5,4%
próximo de mínimas
Primário 2026e
−0,4%
do PIB
Dívida bruta 2026e
81,4%
do PIB, em alta
Crescimento: forte em 2026, desacelerando em 2027
Projeções de PIB real, em % ao ano · Fontes: BTG Pactual, Itaú Unibanco e Santander
0%0,5%1%1,5%2%2,5%2,00%2,10%1,80%PIB 2026e1,10%1,70%1,30%PIB 2027eBTG PactualItaúSantander
A trajetória da dívida bruta
Em % do PIB · outras casas projetam entre 82,8% e 83,7% em 2026 · Fonte: Banco Central do Brasil e BTG Pactual Macro Strategy
70%75%80%85%90%77,7%78,7%81,4%83,7%202420252026e2027e
O nó fiscal
  • O impulso fiscal de 2026 está concentrado no primeiro semestre e vem de transferências, mudança no Imposto de Renda e programas setoriais.
  • Parte relevante da expansão ocorre fora das regras fiscais — via despesas financeiras e crédito direcionado — o que reduz a visibilidade e desgasta a âncora.
  • O ajuste necessário para estabilizar a dívida é estimado em torno de 4 p.p. do PIB, e cresce a cada ano sem correção de curso.
  • A queda do petróleo pressiona as receitas ligadas à commodity, tornando o cumprimento da meta mais dependente da arrecadação cíclica.
Por que isso importa para quem investe

Fiscal frouxo com política monetária apertada é a receita clássica de juro real alto e prêmio de risco elevado. É desconfortável para o país, mas cria uma oportunidade concreta para quem investe: taxas reais historicamente generosas em títulos públicos. A contrapartida é volatilidade — e é por isso que o horizonte de tempo importa tanto quanto o prêmio em si.

Contas externas
O ponto forte do quadro

Superávit comercial robusto (US$ 75–81 bi projetados para 2026), déficit em conta corrente entre 2,2% e 2,7% do PIB e reservas próximas de US$ 360 bi. O financiamento externo melhorou, ainda que com maior peso de fluxos de portfólio — mais voláteis que investimento direto.

Fontes: IBGE, Tesouro Nacional, Banco Central do Brasil · projeções de BTG Pactual, Itaú Unibanco e Santander · junho/julho de 2026
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06 · Junho em Números

O mês em uma tabela

06

Junho premiou o carrego e castigou a duration. O pós-fixado entregou 1,12% sem sustos; os títulos longos indexados à inflação perderam 2,05% com a abertura das taxas reais. Bolsa, fundos imobiliários e ativos de risco em geral ficaram no negativo. É a fotografia exata do cenário descrito nas páginas anteriores.

Retornos de junho de 2026
Em %, no mês · índices globais em reais com hedge cambial · Fonte: Quantum e Bloomberg, via XP Alocação
EM Aggregate1,28%IDA-DI1,23%CDI1,12%S&P US HY0,97%S&P US IG0,82%IRF-M0,69%IHFA0,51%IDA-IPCA-0,07%MSCI ACWI-0,20%Ibovespa-1,01%IMA-B-1,04%IFIX-1,21%
Retornos acumulados em 2026
Em %, no ano até 30/06/2026 · Fonte: Quantum e Bloomberg, via XP Alocação
MSCI ACWI15,29%IDA-DI7,09%CDI6,85%Ibovespa6,76%EM Aggregate6,52%S&P US HY6,49%S&P US IG5,37%IRF-M5,06%IMA-B4,08%IHFA3,26%IDA-IPCA1,54%IFIX1,46%
Classes de ativos — o quadro completo
Rentabilidade por índice de referência · Fonte: Bloomberg, Anbima e B3, compilação BTG Pactual · 30/06/2026
ClasseÍndiceJunhoNo ano12 mesesVol. 12m
Pós-fixado soberanoCDI+1,12%+6,91%+14,78%0,01%
Pós-fixado privadoIDA-DI+1,16%+7,08%+14,84%0,12%
Inflação curtaIMA-B 5+0,22%+6,54%+12,12%1,88%
Inflação longaIMA-B 5+−2,05%+2,25%+5,39%7,14%
PrefixadoIRF-M+0,69%+5,11%+12,12%3,69%
MultimercadosIHFA+0,11%+2,84%+9,43%2,60%
BolsaIbovespa−1,01%+6,76%+23,89%16,90%
Small capsSMLL−3,28%−4,58%−1,35%22,05%
Fundos imobiliáriosIFIX−1,21%+1,46%+9,96%4,89%
OuroUSD 4.008−11,72%−7,64%+20,28%26,99%
O que a tabela está dizendo

Um CDI a 14,78% em doze meses com volatilidade de 0,01% é uma anomalia global — e é a barra que qualquer outro ativo brasileiro precisa superar. Enquanto ela estiver tão alta, assumir risco no Brasil exige uma tese muito clara, não apenas otimismo.

Fontes: Bloomberg, Anbima, B3, Quantum · compilação BTG Pactual Macro Strategy e XP Alocação · 30/06/2026
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07 · Renda Fixa

Onde o prêmio está — e quanto custa

07

A renda fixa brasileira segue oferecendo o que poucos mercados oferecem hoje: juro real alto e inflação implícita bem acima da meta. A pergunta relevante deixou de ser se há prêmio — e passou a ser quanta oscilação é preciso aceitar para capturá-lo. Junho deu uma resposta clara.

O prêmio de inflação segue elevado nos prazos longos
Inflação implícita por vencimento, em % · bem acima do centro da meta de 3,0% · Fonte: Anbima, via XP Alocação · 30/06/2026
0%2%4%6%4,97%2 anos5,31%4 anos5,81%8 anos
O preço do prazo: retorno x volatilidade
Índices de renda fixa em 12 meses, em % · alongar o prazo custou volatilidade sem entregar retorno · Fonte: Anbima e B3, compilação BTG Pactual · 30/06/2026
0%4%8%12%16%14,78%0,01%CDI14,84%0,12%IDA-DI12,12%1,88%IMA-B 512,12%3,69%IRF-M5,39%7,14%IMA-B 5+Retorno em 12 mesesVolatilidade em 12 meses
O que os números dizem, classe a classe
  • Pós-fixado. Com o ciclo de corte perto do fim, o CDI volta a ser difícil de bater: 14,78% em doze meses com volatilidade praticamente nula. A barra para o Banco Central retomar altas, porém, é muito elevada.
  • Indexados à inflação. Os juros reais estão historicamente elevados e sustentam a atratividade da classe como proteção de médio e longo prazo. O contraste entre IMA-B 5 e IMA-B 5+ mostra onde o risco de marcação se concentra.
  • Prefixados. As taxas nominais estão em patamar historicamente alto, mas a assimetria altista da inflação, o dólar forte e a incerteza eleitoral explicam boa parte desse prêmio — ele não é gratuito.
  • Crédito privado. Não há estresse sistêmico, mas a dispersão entre emissores aumentou e os rebaixamentos de rating se multiplicaram. O risco atual é idiossincrático, não de mercado — o que muda a natureza da análise.
A leitura do gráfico

Nos últimos doze meses, sair do pós-fixado e ir para o vértice mais longo indexado à inflação significou trocar 14,8% de retorno com volatilidade de 0,01% por 5,4% com volatilidade de 7,1%. É a fotografia de um ciclo em que o prêmio de prazo simplesmente não foi remunerado.

A ressalva importante
Retrovisor não é para-brisa

Esses números descrevem o que já aconteceu. Justamente por terem aberto, as taxas longas embutem hoje prêmios maiores do que há um ano — e a mesma volatilidade que puniu o passado é a que cria a oportunidade adiante. O que muda é a exigência de horizonte: prazo longo só faz sentido para quem pode esperar.

Fontes: Anbima, B3, Bloomberg · compilação BTG Pactual Macro Strategy e XP Alocação · 30/06/2026
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08 · A Bolsa Brasileira

O timing já passou

08

A janela foi excelente: entre outubro de 2025 e abril de 2026, o Ibovespa entregou um dos melhores períodos recentes, e ainda acumula quase 24% em doze meses. Mas o momentum acabou. O fluxo estrangeiro perdeu força, a bolsa não reagiu nem ao alívio do petróleo, e o ruído eleitoral cresce. Seguimos neutros.

Desempenho por setor em 2026
Retorno acumulado no ano, em % · Fonte: B3 e Bloomberg, compilação BTG Pactual · 30/06/2026
Utilities (UTIL)10,89%Ibovespa6,76%Financeiro (IFNC)4,22%Fundos imob. (IFIX)1,46%Small caps (SMLL)-4,58%Consumo (ICON)-5,25%Materiais básicos (IMAT)-5,52%
Ibovespa — a foto por janela de tempo
Retornos em %, aos 172.024 pontos · o ganho de 12 meses foi construído até abril · Fonte: B3, via BTG Pactual
-10%0%12%26%-1,01%Junho-7,22%Maio6,76%No ano23,89%Em 12 meses
O fluxo
Perdemos a rotação
O capital estrangeiro migrou para emergentes ligados a tecnologia — Coreia do Sul e Taiwan. O Brasil, com baixa exposição ao tema de IA, ficou de fora e viu o saldo do investidor estrangeiro se deteriorar.
O preço
Barato, mas por um motivo
Valuation e indicadores técnicos seguem descontados, e o prêmio de risco melhorou. Só que a melhora vem do aumento do prêmio exigido, não de fundamentos — o desconto está pago, não presenteado.
A postura
Seletividade acima de tudo
Num ambiente sem direção clara, a diferença tende a vir da escolha, não do índice. Empresas de maior qualidade, balanços resilientes e forte geração de caixa são as que atravessam bem juro alto prolongado.
O gatilho que falta

A bolsa brasileira está barata há tempo suficiente para sabermos que preço baixo não é catalisador. O que destrava a reprecificação é clareza fiscal ou queda consistente de juros — e nenhuma das duas está no horizonte próximo. Até lá, o desconto é um argumento — não um gatilho.

Fontes: B3, Bloomberg · elaboração Eternion a partir de BTG Pactual Macro Strategy e XP Alocação · 30/06/2026
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09 · O Que Levar

O que fica do semestre

09

Quatro ideias que resumem o semestre e ajudam a interpretar o que vem pela frente.

01
O ciclo de corte está no fim

A Selic deve encerrar 2026 perto de 14%, e o juro permanece em terreno contracionista por um período prolongado. Planejar com juro alto por mais tempo é mais realista do que contar com uma queda que o cenário não sustenta.

02
A inflação tem viés de alta

Alimentos, câmbio, mercado de trabalho apertado e El Niño empurram na mesma direção. A queda do petróleo aliviou parte da conta, mas é o único vetor relevante puxando para baixo.

03
O prêmio existe, mas cobra prazo

Juro real alto e inflação implícita acima da meta são uma combinação rara. A contrapartida é volatilidade — o que torna o horizonte de tempo a variável mais importante da decisão.

04
O ciclo global corre por fora

O tema que move os mercados internacionais é inteligência artificial, e o Brasil tem pouca exposição a ele. Olhar além da fronteira deixou de ser sofisticação e virou questão de representatividade.

Com o CDI acima de 14% ao ano, a pergunta deixa de ser "onde encontro retorno?" e passa a ser "quanto risco eu realmente preciso assumir para chegar onde quero?". É uma pergunta que só se responde a partir dos objetivos de cada investidor — não a partir do noticiário.

Em uma frase

Um cenário de juro alto, inflação resistente e eleição à frente não recompensa audácia — recompensa clareza de objetivo, horizonte definido e qualidade. O segundo semestre não pede que se adivinhe o próximo movimento, e sim que cada decisão tenha um prazo compatível com o risco que carrega.

Sobre este material
Um panorama, não uma recomendação

O Panorama de Mercado é publicado mensalmente pela Eternion com o objetivo de tornar o cenário macroeconômico legível para quem investe. Não contém recomendação de compra, venda ou alocação: qualquer decisão de investimento depende do perfil, dos objetivos e do horizonte de cada investidor, e deve ser tomada com acompanhamento profissional.

Síntese Eternion a partir de BTG Pactual Macro Strategy, Itaú Unibanco, Santander Brasil e XP Alocação · Julho de 2026
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